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Longevidade

Viver mais é privilégio ou responsabilidade?

Em três gerações, o Brasil ganhou trinta anos de vida. Algumas perguntas sobre o que fazer com eles.

Viver mais é privilégio ou responsabilidade?

Em 1940, a expectativa de vida no Brasil era de 45,5 anos. Hoje é de 76,6, segundo o IBGE. Ganhamos três décadas de vida em três gerações, e quase ninguém parou para se perguntar o que fazer com elas. No sexto episódio da primeira temporada de Valores no Tempo, nosso podcast, fizemos à nossa convidada perguntas que, à primeira vista, parecem ser sobre o tempo de uma vida.

Viver cem anos exige mais planejamento ou coragem? Para quem nasceu nos anos 1940, viver muito era sorte. Para quem nasce hoje, os cem anos são quase uma premissa. Uma vida longa abre espaço para viver mais de uma vida: outra carreira, uma pausa, um recomeço aos 60. Isso pede planejamento, e pede coragem também.

As pessoas vivem como se fossem durar cem anos? Em geral, não. A maioria se organiza para viver até os 75 anos e chega lá com mais vinte pela frente que ninguém planejou. Há quem diga que o futuro é velho: a maior parte do tempo da sua vida, você será mais velho do que é hoje.

Envelhecer é ganhar ou perder? Depende da distância entre duas medidas: quanto tempo se vive e quanto desse tempo se vive com saúde, lucidez e disposição. Healthspan e lifespan. Somar anos ao calendário é o resultado. Somar anos bem vividos é o projeto.

O que passa mais rápido, os anos ou os dias? Os dias custam a passar. Os anos somem. Talvez porque o dia seja onde a vida acontece, e o ano, apenas onde ela é contada.

Nas regiões do mundo com mais centenários, as chamadas Blue Zones, os pesquisadores encontraram hábitos parecidos: comida simples, corpo em movimento, propósito. E um fator que costuma passar despercebido, a convivência entre gerações. O avô que cuida do neto, o jovem que aprende com o mais velho. Longevidade, ao que tudo indica, também se constrói em companhia.

Ela se constrói cedo, nos hábitos, nas relações, no propósito, no que se cultiva hoje enquanto os cem anos ainda parecem distantes. É assim que pensamos a vida, e é assim que pensamos o patrimônio. Quando recolocamos essas perguntas sobre o patrimônio, elas continuam fazendo sentido. Uma fortuna construída ao longo de décadas precisa ser pensada para durar mais do que quem a construiu, e a passagem da geração que gera para a geração que recebe raramente acontece como simples transferência.

21/07/2026

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