Todo mês, o Que Semana é Essa? escolhe um tema e o percorre edição a edição. Desta vez, Shakespeare.
Quem foi William Shakespeare. Nasceu em Stratford-upon-Avon em 1564 e se tornou dramaturgo, poeta, ator e sócio de companhia em Londres. Escreveu durante o reinado de Elizabeth I e o início da Era Jacobina, em um momento de intensa transformação política, cultural e teatral na Inglaterra. O apelido mais famoso é the Bard of Avon, bardo no sentido de poeta, ligado à cidade natal às margens do rio Avon.

Romeo and Juliet, no West End, em Londres. Fomos assistir à nova produção dirigida por Robert Icke, no Harold Pinter Theatre, com Sadie Sink e Noah Jupe. A montagem tem sido apresentada como uma leitura intensa e contemporânea de um dos textos mais conhecidos do autor, sem perder a força emocional da obra.
“O que mais me marcou nessa releitura foi a forma como ela atualiza a energia da peça. Tudo parece mais imediato, mais urgente, e isso dá uma nova camada à tragédia.” Luiza Queiroz, Communication Strategist do Grupo Turim
Sem o First Folio, parte importante da obra talvez tivesse se perdido. Shakespeare escreveu tragédias, comédias e peças históricas, e entre as mais conhecidas estão Hamlet, Romeo and Juliet, Macbeth, Othello, King Lear e A Midsummer Night’s Dream. Nenhum manuscrito original de suas peças sobreviveu. Muito do que lemos hoje foi preservado em edições impressas, especialmente o First Folio, publicado em 1623 por colegas de sua companhia, sete anos após sua morte.

Hamlet, sonhos que virão, em São Paulo. Assistimos à montagem em cartaz na capital paulista, com Gabriel Leone no papel-título. A peça propõe uma leitura contemporânea do clássico e usa o espaço do antigo Cine Copan como parte da própria dramaturgia, reforçando a atmosfera de ruína, dúvida e tensão da obra.
“Hamlet impressiona porque não trata apenas de vingança, mas do peso da consciência. Nessa montagem em um palco de um cinema em obras, essa inquietação fica ainda mais forte: tudo parece falar de ruína, loucura e lucidez ao mesmo tempo. Hamlet, a maior obra do maior dos dramaturgos, continua moderna e atemporal.” Arthur Mello, co-CIO da Tori e autor da newsletter Que Semana é Essa?
Stratford-upon-Avon, um day trip literário. A cerca de duas horas de trem de Londres, a cidade natal do autor é uma boa opção de bate e volta. Vale visitar a Shakespeare’s Birthplace, casa natal do autor, no centro histórico; a Harvard House, de arquitetura Tudor; a Shakespeare’s New Place, última casa do autor, com jardim histórico; a Guild Chapel, capela medieval com afrescos antigos; a Shakespeare’s Schoolroom and Guildhall, onde ele estudou; a Hall’s Croft, casa de Susanna, sua filha; os Bancroft Gardens, à beira-rio; a Royal Shakespeare Company, com montagens icônicas; a Holy Trinity Church, onde está o túmulo do autor, com vista para o rio Avon; e o Anne Hathaway’s Cottage, com seus jardins.
Shakespeare raramente partia do zero. Suas peças nasciam, muitas vezes, de crônicas, biografias, mitologia e textos anteriores. Entre as referências mais frequentes estão Plutarco, Holinshed e Ovídio, transformados em matéria-prima histórica, narrativa e simbólica ao longo de sua obra.

