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Arte

Cinco histórias por trás dos logos mais reconhecíveis do mundo

De um tenista francês apelidado de crocodilo a um pintor surrealista desenhando um pirulito

Cinco histórias por trás dos logos mais reconhecíveis do mundo

Você reconhece esses logos em segundos, mas talvez não conheça as histórias por trás deles. Design, cultura e acaso ajudaram a construir alguns dos símbolos mais reconhecíveis do planeta. Reunimos cinco delas.

O tenista que virou crocodilo. Boston, 1923: René Lacoste, jovem tenista francês de 19 anos, viu na vitrine de uma loja uma mala de couro de crocodilo que muito desejava. Antes de uma partida importante da Copa Davis, o capitão do time francês lhe prometeu a mala de presente caso ele vencesse. Lacoste perdeu a partida, mas sua determinação em quadra chamou a atenção de um jornalista americano, que o apelidou de crocodilo. O apelido pegou. Em 1927, o artista Robert George desenhou o animal a pedido de René, que passou a bordá-lo em seus casacos de tênis. Em 1933, ao cofundar a La Chemise Lacoste, transformou o crocodilo em logo visível na linha de polos, a primeira marca a levar um símbolo aparente em uma peça de roupa. A polo com o crocodilo bordado segue em produção há mais de 90 anos.

A litografia que virou logo. Em 1945, a Hermès adotou como logo oficial uma cena retirada de uma litografia do pintor francês Alfred de Dreux, do século XIX, que pertencia à coleção da família. A imagem mostra um Duc Carriage com um cavalo e um lacaio, sem ninguém ao comando. A escolha mantém a memória da origem da casa, fundada em 1837 como seleiraria em Paris, especializada em arreios e equipamentos de equitação. O detalhe da carruagem vazia carrega um significado próprio: a Hermès entrega o melhor, e é o cliente quem define o uso e o destino. A famosa caixa laranja foi adotada por necessidade durante a ocupação alemã de Paris, em 1942, quando o estoque de papelaria laranja era o único disponível.

O logo de um dos maiores tipógrafos do século XX. O logo do Museum of Modern Art de Nova York foi criado em 1964 por Matthew Carter, então jovem designer britânico, que trabalhou com a fonte Franklin Gothic e fez ajustes específicos para obter máxima clareza institucional. Décadas depois, Carter se tornaria um dos tipógrafos mais influentes do mundo, criador das fontes Verdana e Georgia, encomendadas pela Microsoft nos anos 1990 para uso em telas. O logo do MoMA segue praticamente inalterado há mais de 60 anos.

Quando Dalí desenhou um pirulito. Em 1969, Enric Bernat, fundador da Chupa Chups, encontrou Salvador Dalí em Madri e pediu uma atualização da identidade da marca. Em poucos minutos, Dalí desenhou o logo em formato de margarida amarela, com o nome em vermelho no centro. O pintor sugeriu ainda posicionar o logo no topo do pirulito, e não na lateral, para que ficasse sempre visível. A sugestão mudou o design industrial dos pirulitos no mundo todo, e o desenho segue praticamente inalterado mais de 50 anos depois.

A maçã, a mordida e a caligrafia. Antes de fundar a Apple, Steve Jobs frequentou aulas de caligrafia no Reed College, em Oregon, e anos depois atribuiria a elas o cuidado tipográfico do Macintosh, em 1984, primeiro computador pessoal com fontes bem desenhadas. Em 1977, contratou o designer Rob Janoff e pediu algo simples e não esquemático. Janoff desenhou a maçã com uma mordida no lado direito, detalhe que servia para diferenciá-la de uma cereja em silhuetas pequenas. A coincidência com byte, unidade de informação, foi notada depois, sem ter sido a motivação do designer. O primeiro logo da Apple, de 1976, mostrava Isaac Newton sob uma macieira e foi feito por Ronald Wayne, terceiro cofundador da empresa.

Logos que viraram histórias. Histórias que viraram logos.

16/06/2026

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