Um relógio marca as horas. Os melhores carregam também a história de como foram feitos: decisões, apostas e anos de trabalho. Reunimos seis dessas histórias.
Cartier Santos, 1904. Louis Cartier criou o modelo a pedido do aviador brasileiro Santos-Dumont, que queria consultar as horas durante o voo sem tirar o relógio do bolso. Foi um dos primeiros relógios de pulso desenhados para uso prático masculino, numa época em que esse formato era considerado peça feminina. O Santos segue em produção até hoje, mais de 120 anos depois.
Seiko Quartz Astron, 1969. No Natal de 1969, a Seiko lançou o Astron, primeiro relógio de quartzo de pulso comercializado no mundo. A precisão era de poucos segundos por mês, contra segundos por dia dos mecânicos. A inovação iniciou a chamada crise do quartzo, que abalou a indústria relojoeira suíça nos anos seguintes. As cem primeiras unidades, feitas em ouro, custavam o equivalente a um carro.
Omega Speedmaster Professional Moonwatch. A NASA escolheu o modelo em 1965, depois de uma bateria de testes que outros não suportaram: vácuo, calor de 93 °C, frio de 18 °C negativos, vibração, choque, descompressão e ruído. Em 21 de julho de 1969, foi com Buzz Aldrin no momento em que pisou na superfície lunar, e segue como cronógrafo oficial das missões espaciais americanas.
Audemars Piguet Royal Oak, 1972. Em 1971, faltando uma noite para a feira de Basel, o designer Gérald Genta desenhou em poucas horas o relógio encomendado pela Audemars Piguet. Inspirou-se em um capacete de mergulho, e os parafusos que o vedavam deram origem à luneta octogonal aparafusada. No lançamento, causou estranheza: esportivo, em aço inoxidável, vendido pelo preço de uma peça em ouro. Inaugurou uma categoria inteira e sustentou a marca durante a crise do quartzo.
Casio G-Shock, 1983. Em 1981, Kikuo Ibe, engenheiro da Casio, deixou cair no chão um relógio de valor afetivo. O acidente o levou a uma pergunta: seria possível criar um relógio que não quebrasse? Foram dois anos de pesquisa e mais de 200 protótipos, orientados pelo conceito Triple 10, que era resistir a quedas de dez metros, suportar dez atmosferas de pressão e durar dez anos de bateria. Hoje é uma das linhas mais vendidas do mundo, com mais de 100 milhões de unidades.
Patek Philippe Calibre 89. Para celebrar os 150 anos da casa, o Calibre 89 reuniu 33 complicações em um único relógio, com 1.728 peças. Entre elas, calendário gregoriano completo, fases da lua, hora do nascer e do pôr do sol em local específico e tempo sideral. Foram nove anos de desenvolvimento.
Objetos assim guardam um traço em comum, que é a paciência de quem projeta pensando no longo prazo.







